Uma Palavra Sobre Fundamentalismo

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Lembro-me, como se fosse hoje, mas com muita indignação, do que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001 nos EUA.

Um evento terrorista planejado e executado pela demência da mente humana. Estou me referindo ao ataque que jogou por terra o World Trade Center, um complexo de sete edifícios, mais conhecido apenas pelas torres gêmeas, construídos em Lower Manhattan, na cidade de Nova York.

Neste evento, a demência da mente humana mostrou do que é capaz. Não podemos deixar que estas demências da mente humana tenha a última palavra, causando tragédias em nosso meio.

Este evento me ajuda a entender um pouco o que é o fundamentalismo. Não é uma doutrina, mas a forma como vemos, interpretamos e colocamos em pratica esta doutrina é ao mesmo tempo assumir a letra sem se preocupar com o espírito, é fazer valer uma verdade que para um grupo é essencial. Fundamentalismo significa caráter absoluto àquilo que só você e seu grupo acham certo. Aqui surgem para mim graves consequências: quem se acha portador de uma verdade absoluta, não pode tolerar outras verdades e outras pessoas – o que acontece é a intolerância. E quando surge a intolerância juntamente com ela vem: desprezo, falta de respeito a outras convicções, falta de diálogo, agressividade, guerras e ainda conflitos religiosos sem a preocupação com aqueles que estão envolvidos.

Na verdade fundamentalismo desta forma é mais tradicionalismo do que qualquer outra coisa. Onde cada qual vive a sua convicção “tribal”, onde cada qual é portador exclusivo do que é “certo” e porque não falar “portador exclusivo da revelação de Deus”.

Um exemplo disto é o fundamentalismo islâmico que quer fazer do Alcorão a sua única forma de vida, de moral, de política e até de organização. E todos que vão contra a esta visão estão indo contra Deus, estão se constituindo em obstáculos para à implementação da “Cidade de Deus” e como consequência são apóstatas que merecem ser perseguidos e excluídos.

Mas este tipo de fundamentalismo não está longe de nós. Encontramos com facilidade grupos cristãos ou igrejas que se dizem donas da verdade absoluta, estas – somente elas – são detentoras da Revelação de Deus, da tradução Bíblica inspirada (quem usa outra merece ser excluído), dos hinos e dos cânticos corretos, da liturgia verdadeira, etc. E todos que não se adaptarem a isto são considerados apóstatas e devem ser excluídos – não pode haver comunhão. São intolerantes para com outros, desprezam e desrespeitam outras convicções, causam guerras e conflitos e não se preocupam com o próximo em detrimento de seu fundamentalismo “barato”.

Defendo o fundamentalismo, mas não este descrito acima. Fundamentalismo para mim é aquele onde as Escrituras Sagradas são interpretadas, aplicadas e vividas sem qualquer tipo de hipocrisia e sem qualquer intromissão de “mentes dementes”. Fundamentalismo Bíblico é aquele onde a Exegese (extrair do texto aquilo que ele esta dizendo) e não a Eisegese (colocar no texto o que ele não quer dizer) tem a primazia. Fundamentalismo Bíblico é aquele onde o Deus da Palavra e a Palavra de Deus estão em primeiro lugar e não aquele que o homem com sua mente limitada (depravada) pensa que é. Fundamentalismo Bíblico é aquele que preza pela Ordem e pela Decência (1 Cor.14:40), mas também pelo equilíbrio.

Márcio Santos

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