Conquistando e Recuperando a Atenção

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É comprovado que as pessoas sempre estão com a sua atenção voltada para algo. Não é diferente com aqueles que estão na Igreja, as atenções estarão em alguma coisa e muitas vezes não será para a pregação.

Sendo assim, o pregador precisa saber conquistar a atenção dos ouvintes, ou até mesmo recuperá-la, se for o caso do auditório (ou pelo menos alguns) tê-la perdido.

Defino atenção como: um processo pelo qual o intelecto humano focaliza e seleciona os estímulos. Sendo assim, a atenção é um processo, isto é, não está presa a um único fator, mas a vários; em segundo lugar, há uma separação dos estímulos que é feita por meio do intelecto.

Já que os ouvintes intelectualmente selecionam e separam o conteúdo que mais lhes atraem, cabe ao pregador escolher e fazer uso de “ferramentas” para que isto aconteça.

Neste artigo quero citar duas “ferramentas” que, se usadas de maneira correta, contribuem para conquistar ou recuperar a atenção:

1. Eliminar as Interferências.

Dois tipos de interferências que devem ser retiradas são:

A Primeira interferência está relacionada ao áudio. Ruídos, chiados, volume muito alto ou muito baixo, cortes no áudio, etc. Ou quando não há sistema de som na igreja. Ainda há o problema de sons externos, por exemplo, músicas e propagandas por meio do sistema de som automotivo, neste caso, algo que pode ajudar é continuar falando e depois repetir o que foi falado.

A segunda é a interferência visual. Iluminação ruim, vasos, caixas de som, pessoas em pé, crianças correndo na frente do povo, tudo isto atrapalha a visão do pregador. Para existir uma boa comunicação é preciso que as pessoas enxerguem quem está pregando.

Outro tipo de interferência que pode existir é o próprio pregador. Cabe aqui uma atualização; pregadores estáticos atrás do púlpito como se fossem um “poste” ou uma “estátua” terão grandes dificuldades de alcançar os ouvintes da igreja evangélica atual. Pregadores assim servem de “interferência” para a mensagem da Palavra de Deus.

Cesar Augusto, sabiamente, diz:

O conceito “ético” de que o pregador deve ficar atrás do púlpito, imóvel, somente falando, foi funcional somente até o início da década de 70, isto é, antes da massificação da televisão. As pessoas naquela época eram acostumadas a ficar ao lado do rádio por várias horas, ouvindo alguém falar, quando buscavam algum entretenimento.

Desde o advento da televisão, as pessoas foram acostumadas não somente a ouvirem, mas também a verem cor, movimento e som de uma maneira tridimensional. Talvez este seja o motivo pelo qual, as estatísticas apontem que um ser humano normal perde pelo menos um terço de sua vida em frente a um aparelho de Televisão. Por isso, se o pregador de hoje ficar limitado ao púlpito, somente falando, tenderá a criar um ambiente monótono, favorecendo o desvio da atenção dos ouvintes para outras coisas dentro da igreja (AUGUSTO, 2001, p. 39).

2. Use os "Ganchos da Atenção".

Assim como a isca serve para chamar a atenção do peixe, os "ganchos da atenção" servem para conquistar a atenção dos ouvintes.

Os "ganchos da atenção" podem ser frases de efeito, ilustrações, recursos didáticos bem elaborados e até a postura do pregador. Existem várias maneiras de usá-los, portanto, ponha a sua criatividade para funcionar.

É preciso fazer com que os ouvintes percebam que o Tema a ser tratado é interessante e se relaciona com eles. Isto pode ser conseguido fazendo uso de ganchos como:

O Gancho do tipo “linguagem direta”

- Você está desempregado, endividado?

- Você está deprimido?

- Você está cansado desta vida? Está cansado de viver pecando?

- Você quer ser uma bênção?

- Você está precisando do poder de Deus em sua vida?

- Você quer ser um ministro do evangelho? Sente um chamado especial?

2. O Gancho do tipo “linguagem indireta” (ilustrado)

3. O Gancho do tipo “suposições”

Vamos supor, Se você "tivesse" a oportunidade de estar diante de Deus e Ele lhe perguntasse: " - Porquê você deve entrar no meu céu?"O que você responderia?

4. O Gancho do tipo “contextualização”

Todo texto da Palavra de Deus se relaciona com as nossas vidas, é função do pregador fazer a contextualização do seu sermão. Bryan Chapell em seu livro "Pregação Cristocêntrica", fala sobre o "FCD" (Foco da condição decaída). O FCD “é a condição humana recíproca que os crentes contemporâneos compartilham com aqueles ou aquele a quem o texto foi escrito que requer a graça da passagem”. Geralmente o “FCD” cria uma tensão ou sugere uma pergunta que está relacionada com alguma crise que faz parte da vida dos ouvintes.

Chamo também este tipo de contextualização de "problemática". É colocar os ouvintes dentro do propósito do texto.

Existem centenas de "Ganchos da Atenção".

Quero concluir este artigo com o seguinte pensamento: na pregação existe a parte divina e a humana. Dentro da parte humana, cabe aos pregadores elaborarem o sermão da melhor maneira possível fazendo uso de ferramentas que estão ao seu alcance. E Deus fará a sua parte, como por exemplo, convencer do pecado, da justiça e do juízo!

“Deus abençoe!"

Márcio Santos

Dmin - Doctor of Ministry

Mestre em Exposição Bíblica Contemporânea

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